O mercado cambial se mantém estável apesar do renascimento do conflito no Irã

Apesar do aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, os mercados cambiais se mantêm estáveis. O episódio não provocou fluxos significativos para ativos de refúgio, nem no mercado cambial nem no restante dos mercados financeiros.

As bolsas negociam perto de suas máximas históricas e as moedas se movem em intervalos estreitos, sem sinais claros de aversão a risco. Os investidores parecem ter aprendido a encarar as declarações de Trump com ressalvas, dado seu longo histórico de promessas não cumpridas. Resta saber se suas últimas afirmações correspondem a uma estratégia de negociação ou se, pelo contrário, as conversas entre EUA e Irã estagnaram. A ausência de anúncios de política econômica ou monetária também contribuiu para manter essa tranquilidade.

Esta semana, as atenções vão se voltar para os dados de inflação nos Estados Unidos. Na terça-feira será divulgado o IPC de junho, que deve mostrar um recuo relevante devido à queda dos preços de energia. Com o Fed em processo de ajustar suas orientações prospectivas e aparentemente inclinado a subir os juros, cada leitura de inflação daqui em diante ganhará especial relevância. Também estarão no radar a produção industrial da zona do euro (quarta-feira) e o PIB mensal do Reino Unido (quinta-feira), ambos referentes ao mês de maio.

BRL

O real se valorizou ligeiramente na semana passada, acompanhando diversas commodities exportadas pelo Brasil. Entre elas, destacamos o petróleo bruto, cujo preço subiu cerca de 9% na última semana. A divulgação mais importante da semana foi o dado de inflação de junho, que arrefeceu de forma inesperada, voltando a colocar sobre a mesa a possibilidade de um último corte de juros ainda este ano. A taxa geral caiu de 4,7% para 4,6%, e as pressões subjacentes também perderam um pouco de força.

Esta semana, o foco se volta para os dados de vendas no varejo de maio, a serem divulgados na quinta-feira. Espera-se uma leve melhora em relação ao mês anterior. O índice de atividade econômica (IBC-Br), que será divulgado na sexta-feira, também será acompanhado de perto.

USD

Os mercados esperam que o relatório do IPC de junho, a ser divulgado esta semana, seja relativamente favorável: um recuo significativo da inflação geral e uma leitura mensal moderada de 0,2% no núcleo. Enquanto isso, os mercados de renda fixa vêm mostrando certo nervosismo; os yields dos Treasuries de 30 anos se aproximam das mínimas dos últimos 20 anos após a divulgação da ata do Fed na semana passada. Essa ata trouxe visões divergentes: enquanto os membros mais hawkish defenderam que novas altas poderiam se justificar caso a inflação siga elevada, outros apontaram que os juros poderiam se estabilizar em torno dos níveis atuais ou até ligeiramente abaixo, caso a inflação se modere.

Uma surpresa altista no dado de inflação de terça-feira poderia ter um impacto relevante no mercado de títulos e provocar uma alta temporária do dólar. No entanto, consideramos que, neste momento, o dólar não se afasta significativamente de seus níveis de equilíbrio.

EUR

As atas da reunião de junho do Banco Central Europeu, divulgadas na semana passada, foram deliberadamente ambíguas quanto aos próximos passos da instituição, o que levou os operadores a reduzir ligeiramente a probabilidade de uma nova alta de juros. Os bons dados econômicos recentes contrastam com a moderação da inflação em junho, de modo que a decisão na reunião de setembro será bastante disputada. Ainda assim, o euro resistiu bem na semana passada, graças à maior sensibilidade da zona do euro à inflação importada do petróleo, que estreitou os diferenciais de juros a favor do euro.

Como as perspectivas sobre as próximas decisões do BCE só devem se clarear daqui a algum tempo, esperamos que o par EUR/USD continue se movendo em um intervalo estreito por ora. Ainda assim, não se pode descartar uma alta adicional caso o presidente Trump insista em seus planos de adquirir a Groenlândia, assunto que já impulsionou o euro na semana passada.

GBP

A libra esterlina segue apresentando um desempenho melhor que o de outras moedas europeias, especialmente frente ao euro. Esse desempenho é um tanto intrigante, dado o elevado risco político no Reino Unido. Os mercados se mostram otimistas diante da iminente posse de Andy Burnham como primeiro-ministro, que deve ocorrer na sexta-feira. No entanto, Burnham tem sido ambíguo quanto às suas políticas econômicas, e acreditamos que os mercados estão subestimando os riscos fiscais decorrentes de sua preferência por maior gasto público. Essa expansão fiscal seria financiada por uma combinação de aumento de impostos e maior emissão de dívida.

O primeiro teste importante para a libra no curto prazo será a nomeação do ministro das Finanças, que esperamos seja anunciada já na próxima segunda-feira, no primeiro dia de Burnham no cargo. Ed Miliband segue como favorito para o posto, uma nomeação que poderia deixar os mercados apreensivos. Já a indicação de Yvette Cooper seria a opção mais tranquilizadora entre as alternativas existentes. Essas notícias políticas devem ter um impacto maior nos mercados do que qualquer outro dado econômico ou evento nesta semana.

Relatórios Especiais

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