Corrida para o dólar americano acelera com o agravamento da guerra no Irã

Qualquer dúvida sobre se o dólar ainda mantinha seu status de porto seguro em tempos de turbulência geopolítica foi dissipada.

A moeda americana continuou a se valorizar frente a todas as outras principais moedas na semana passada, enquanto a guerra no Irã não mostra sinais de terminar tão cedo. 

As moedas europeias apresentam o pior desempenho, com os mercados preocupados com a dependência da região das importações de energia, em meio ao bloqueio contínuo do Estreito de Ormuz e à subsequente alta nos contratos futuros de petróleo, que voltaram a superar os US$ 100 por barril. 

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Enquanto os ativos de risco parecem instáveis, as ações dos EUA caíram apenas para os níveis de três meses atrás. Os títulos públicos em todo o mundo continuam a ter um desempenho abaixo do esperado, e a maioria dos investidores nesta classe de ativos amarga perdas no acumulado do ano, devido aos receios de uma inflação global mais alta.

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Os mercados permanecerão fixados nas notícias da guerra no Irã esta semana, particularmente em quaisquer tentativas dos EUA de reiniciar o fluxo de embarcações por Ormuz. Também teremos uma rara confluência: o Federal Reserve (Fed), o Bank of England (BoE) e o BCE se reunirão em um intervalo de 24 horas, entre quarta e quinta-feira. Não haverá alteração nas taxas, e o foco principal será, em vez disso, como os formuladores de políticas avaliam as implicações da disparada nos preços do petróleo e a agressiva reprecificação hawkish (contracionista) nas expectativas de juros. Acreditamos que todos os três tentarão manter-se o mais neutros possível nesta fase.

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BRL

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O real brasileiro é uma das poucas divisas da América Latina que está resistindo ao solavanco sofrido pelos mercados emergentes nas últimas semanas. Como exportador líquido de petróleo, o Brasil deve ser capaz de absorver melhor um eventual repique inflacionário derivado do conflito no Oriente Médio.

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Ainda assim, o mercado está revisando para cima suas projeções para a inflação e precificando um ciclo de cortes menos profundo (125 bps de cortes, frente aos 300 bps antes do início do conflito).

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Após a queda da inflação em janeiro para 3,8%, o mercado continua esperando que o Banco Central do Brasil corte os juros esta semana em 25 pontos-base, embora acreditemos que ele se manterá cauteloso e as comunicações serão consideravelmente hawkish para acalmar os mercados.

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USD (Dólar Americano)

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A busca por segurança fez com que o dólar ignorasse os dados macroeconômicos fracos dos EUA nas últimas semanas. É notável que a moeda continue a subir mesmo sendo o Fed praticamente o único grande banco central do qual ainda se espera um corte de juros este ano, em vez de um aumento — o que pode ser atribuído, em grande parte, à posição dos EUA como exportador líquido de petróleo. Isso torna a reunião do Fed na quarta-feira tão crítica quanto as dos outros bancos centrais, especialmente porque os mercados estão ávidos por orientações sobre como as autoridades reagirão à guerra.

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Acreditamos que o presidente Jerome Powell fará o possível para indicar que o FOMC está em modo de "esperar para ver", embora possa sugerir que a incerteza e o aumento nos custos de energia associados ao conflito geopolítico possam atrasar o cronograma de cortes nos EUA. Como o país é um exportador líquido, preços mais altos de petróleo impulsionam o crescimento do PIB real e não são excessivamente inflacionários. Com o mercado de trabalho americano também enfraquecendo, nosso cenário base continua sendo a retomada dos cortes pelo Fed mais tarde no ano, embora Powell não vá se comprometer firmemente com isso agora.

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EUR (Euro)

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A moeda comum caiu para o nível de 1,14 em relação ao dólar, em resposta não apenas às expectativas de que a guerra no Irã se arraste por semanas, mas de que o Estreito de Ormuz permaneça efetivamente intransitável por muito mais tempo do que o previsto. Curiosamente, a guerra e a subsequente disparada do petróleo causaram uma das divergências mais acentuadas em anos entre a precificação de mercado e as expectativas dos economistas para as taxas de juros. Os traders agora precificam quase duas altas totais de juros pelo BCE durante o restante de 2026, enquanto pouquíssimos estrategistas esperam sequer uma.

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As comunicações do Banco Central Europeu em sua reunião de quinta-feira serão particularmente delicadas. Os participantes do mercado esperam que Christine Lagarde esclareça qual narrativa está correta e lance luz sobre a reação do banco à perspectiva de outro choque nos preços de energia, enquanto o crescimento permanece estagnado e os dados alemães continuam a decepcionar. Alguns dirigentes do BCE adotaram tons surpreendentemente hawkish em seus discursos na semana passada, e será interessante ver se Lagarde seguirá o exemplo. Embora esperemos que ela mencione as potenciais implicações inflacionárias do conflito, duvidamos que forneça orientações claras até que os membros tenham maior clareza sobre a duração do conflito.

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