Dado fraco de empregos dos EUA interrompe a alta do dólar

A alta do dólar, que vem desde o início de maio, parece estar perdendo força.
As moedas negociaram em faixas bastante estreitas durante a maior parte da semana passada, encurtada pelo feriado de 4 de julho nos EUA. No entanto, o dólar recuou depois que o payroll (relatório de empregos não agrícolas) de quinta-feira veio um pouco abaixo do esperado, o que sugere que o Fed pode estar certo em adotar uma postura cautelosa em relação ao aperto da política monetária. De fato, as apostas em altas de juros vêm diminuindo de forma mais ampla, em meio a números de inflação melhores do que o esperado. Embora todos esperem que os próximos movimentos nas taxas de juros do G10 sejam de alta, já não está claro quem será o primeiro a se mexer; nenhuma alta completa de juros está precificada para os EUA, a Zona do Euro ou o Reino Unido antes do final de 2026, na melhor das hipóteses.
O calendário desta semana está mais fraco em termos de notícias macroeconômicas ou anúncios de política. Nesse contexto, os mercados devem ter dificuldade em sair da já esperada letargia de verão, então não se preveem grandes movimentos cambiais. Os investidores já não estão prestando muita atenção às negociações entre EUA e Irã, e o mercado de petróleo parece estar precificando uma chance quase nula de retomada das hostilidades. Talvez o evento mais importante desta semana seja a divulgação, na quarta-feira, da ata da reunião de junho do Federal Reserve — a primeira realizada sob a presidência de Kevin Warsh.
BRL
O real terminou a semana perto dos níveis em que a começou, na faixa dos 5,17. Vale destacar a melhora na atividade econômica no mês de junho, como refletido nos últimos PMIs. O indicador composto voltou ao terreno expansivo, situando-se no nível de 50,7. No atual contexto de pressões inflacionárias persistentes, o ajuste nas expectativas de juros poderia permitir que o ciclo de cortes seja pausado bem antes do estimado inicialmente, preservando assim taxas de juros atrativas. O mercado já nem precifica totalmente um novo corte de juros. Nesta semana, o foco se volta para os dados de inflação de junho, que serão divulgados nesta sexta-feira. Espera-se uma nova alta na taxa geral.
USD
O relatório de empregos de junho veio um pouco fraco, mas isso ocorre depois de dois números bem fortes nos dois meses anteriores, e o ritmo de criação de empregos continua superando com folga o ritmo de crescimento da força de trabalho nos EUA. Essas pesquisas também têm se tornado menos confiáveis ultimamente, então recomendamos olhar para a média móvel de três meses em vez de reagir exageradamente ao número mensal isolado. A tendência continua positiva, e o mercado de trabalho ainda está se recuperando da desaceleração do final de 2025, com poucos sinais de que a incerteza da guerra no Irã tenha levado a demissões em massa ou congelamentos generalizados de contratações.
A economia dos EUA continua se expandindo a um ritmo razoável, de cerca de 2,0%. Juntando isso aos números recentes de inflação núcleo mensal, na faixa de 3-4% anualizados, a questão das altas de juros parece já não ser "se", mas "quando". No entanto, o Fed deixou claro que seu foco está na inflação, e a menos e até que vejamos sinais mais claros de que o choque energético esteja se transferindo para as pressões de preços subjacentes, acreditamos que o Fed vai optar por uma abordagem cautelosa no aperto monetário.
EUR
O relatório preliminar de inflação da Zona do Euro para junho trouxe boas notícias para o BCE. Tanto o índice geral quanto o núcleo (core) caíram mais do que o esperado, com este último agora bem mais próximo da meta de 2%. As autoridades do BCE que falaram na conferência de Sintra na semana passada foram, em sua maioria, evasivas, sugerindo que o banco central está mantendo todas as opções em aberto e vai reagir conforme os dados que forem chegando. No entanto, os mercados já estão empurrando a primeira alta de juros para mais à frente, vendo não mais do que 50% de chance de um movimento em setembro.
Agora que os bancos centrais parecem estar em modo de espera, o diferencial de juros entre os dois lados do Atlântico parece estar se estabilizando, e acreditamos que a moeda única encontrou suporte sólido perto das mínimas recentes em relação ao dólar. Isso reforça nossa visão de uma valorização gradual do euro frente ao dólar ao longo do nosso horizonte de previsão.
GBP
Em uma semana tranquila, o foco do mercado esteve no provável sucessor de Keir Starmer como primeiro-ministro, Andy Burnham. A libra esterlina foi impulsionada por sua insistência em manter as regras fiscais e por relatos de que seus assessores não estariam buscando impostos adicionais, embora ainda não esteja claro como ele pretende financiar suas prioridades de gastos sociais e em infraestrutura. Ed Miliband agora é o claro favorito para ser nomeado novo chanceler. Embora sua preferência por expansão fiscal seja um sinal de alerta para os ativos do Reino Unido, a margem fiscal limitada significa que, na prática, as mãos estarão atadas para quem quer que ocupe o número 11 de Downing Street.
O presidente do Banco da Inglaterra, Bailey, adotou um tom mais dovish (moderado) na conferência de bancos centrais em Sintra, o que ajudou a empurrar as expectativas de mercado quanto à primeira alta de juros para 2027. Já vimos dizendo há meses que a precificação de mercado para juros mais altos no Reino Unido era excessiva, e isso só reforça essa visão. O desempenho superior da libra em relação ao euro continua, e a libra rompeu a faixa estreita em que se manteve nesse par ao longo de 2026.
