Trump e os mercados: semana de tensão geopolítica e dados econômicos

Trump indica que a guerra terminará em 2-3 semanas, os ataques continuarão. Ultimato ao Irã até terça-feira: abrir o estreito ou enfrentar novos ataques. O preço do Brent volta a subir acima de US$ 110. O Parlamento iraniano ameaça com possíveis perturbações no estreito de Bab al-Mandab. EUR/USD cai em direção a 1,15 à medida que o otimismo volta ao radar.

Os mercados continuam sem precificar cortes de juros por parte do Fed neste ano. O relatório NFP (Non Farm Payrolls), divulgado na sexta feira passada, apresentou resultado positivo em linhas gerais:

  • 178k vs 60k esperado vs -133k anterior
  • Revisão dos últimos 2 meses: -7k
  • Desemprego: 4,3% vs 4,4%
  • Participação: 61,9% vs 62%
  • Crescimento salarial: 3,5% vs 3,8%

Já  a inflação da zona do euro, conforme esperado, subiu, embora abaixo do previsto:

  • Geral: 2,5% vs 1,9% anterior
  • Núcleo: 2,3% vs 2,4% anterior

A taxa de desemprego na zona subiu em fevereiro (6,2% vs 6,1%), próxima das mínimas históricas. O mercado atualmente precifica quase 3 altas de juros por parte do BCE, cujosembros do BCE demonstram elevada disposição para aumentá-los ainda este mês.

BRL 

O real brasileiro recuperou parte do terreno perdido na semana passada, e o USD/BRL se se encontra agora apenas 4 centavos acima dos níveis anteriores ao início do conflito. Como temos destacado, o real é uma das moedas emergentes que mais deve se beneficiar desta crise, ao menos em comparação com muitos de seus pares regionais. O Brasil conta com forte exposição a commodities, e os preços do petróleo, minério de ferro, soja e açúcar se mantêm acima dos níveis pré-conflito. Além disso, as expectativas de um ciclo de cortes de juros menos agressivo por parte do Banco Central também estão servindo de suporte à moeda. Enquanto o conflito se prolongar, mantemos uma visão positiva para o real brasileiro. No campo econômico, o foco desta semana estará no dado de inflação de março, para o qual o mercado antecipa uma alta moderada. A condição do Brasil como exportador líquido de petróleo, aliada aos esforços do governo e da Petrobras para conter a alta dos preços energéticos domésticos, poderá mitigar o impacto inflacionário no curto prazo. No entanto, alguns analistas alertam para o risco de escassez de diesel, dado os preços artificialmente baixos no mercado local.

USD

O dólar americano viveu uma semana volátil, marcada pelas expectativas oscilantes do mercado quanto a um possível cessar-fogo no Oriente Médio. Na semana passada, Donald Trump indicou que o conflito poderia se estender por mais duas a três semanas, revisando para cima sua estimativa inicial de 4 a 5 semanas. Durante o fim de semana, o presidente voltou a insistir no ultimato ao Irã: caso Teerã não reabra o estreito antes da noite de terça-feira (ou a madrugada de quarta-feira), os Estados Unidos atacarão instalações energéticas e pontes estratégicas em território iraniano. Nas últimas horas, ganhou força a especulação sobre uma possível trégua de 45 dias, embora diversas fontes considerem altamente improvável que ela se concretize nas próximas 48 horas. No campo econômico, o dado de folha de pagamentos não agrícolas de março surpreendeu positivamente (178k frente a 60k esperados), e a taxa de desemprego também caiu de forma inesperada. Esta semana, o foco estará no CPI de março, que será o primeiro a refletir a alta dos preços de energia. Em menor medida, também será acompanhado o dado de PCE referente a fevereiro.

EUR 

Na semana passada, foi divulgado o primeiro dado de inflação da zona do euro desde o início da guerra. Como era previsível, o CPI subiu com força, de 1,9% para 2,5%, embora tenha ficado abaixo das expectativas do mercado (2,7%). Ainda é cedo para perceber efeitos de segunda ordem, mas a taxa de inflação de núcleo surpreendeu positivamente ao recuar levemente, de 2,4% para 2,3% — um dado que certamente terá sido bem recebido pelo BCE. Esta semana, toda a atenção dos mercados estará voltada para o ultimato de Trump ao Irã. Em caso de nova escalada ou prolongamento do conflito, é provável que o dólar experimente uma valorização adicional nas próximas sessões. No campo econômico, serão divulgados os dados de vendas no varejo na quarta-feira, embora seja muito possível que fiquem em segundo plano diante do atual contexto de tensões geopolíticas.

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