O dólar se fortalece à medida que a disparada dos preços do petróleo coloca o Fed em evidência

Os mercados finalmente começam a perceber as renovadas hostilidades entre EUA e Irã e a disparada nos preços do petróleo, que na semana passada voltou a ultrapassar os US$ 100 o barril. As ações recuaram e o dólar se valorizou em relação à maioria de seus pares, à medida que os investidores buscaram refúgio em ativos seguros, enquanto os exportadores líquidos de commodities foram favorecidos devido às melhorias esperadas nos termos de troca. As expectativas de alta de juros pelos bancos centrais continuam aumentando, e os mercados já veem uma chance não desprezível de o Fed elevar os juros já na reunião desta semana. A alta do dólar na semana passada chamou atenção, considerando o anúncio da mais recente tentativa de Trump de implementar tarifas e fazê-las passar pelo judiciário americano, reforçando a visão de que as expectativas sobre política monetária voltaram a ser o principal fator por trás dos movimentos cambiais.

Notícias no fim de semana de que EUA e Irã estão suspendendo os ataques trouxeram certo alívio para os ativos de risco nesta segunda-feira. O foco principal da semana, no entanto, será a reunião de julho do Federal Reserve, na quarta-feira. Continuamos sem esperar mudanças, embora os mercados vejam essa reunião como "em aberto" e, no mínimo, o FOMC deve manter a porta aberta para uma alta em setembro. O Banco da Inglaterra também se reúne na quinta-feira, mas nenhuma ação é esperada. A semana será encerrada com a divulgação do dado prévio de inflação da Zona do Euro referente a julho, na sexta-feira.

BRL 

O real brasileiro continuou se valorizando na semana passada, impulsionado pelos preços do petróleo ainda elevados. O fato mais relevante, no entanto, foi o anúncio de uma nova rodada de tarifas americanas que afeta 60 parceiros comerciais, entre eles o Brasil. Aos 25% já impostos em meados do mês sobre milhares de produtos brasileiros, soma-se agora uma tarifa adicional de 12,5%, que pode incidir de forma cumulativa sobre alguns desses produtos.

Embora essas medidas representem um claro revés para as relações comerciais bilaterais, seu impacto econômico deve se concentrar principalmente em determinados segmentos da indústria primária e secundária. O efeito global sobre a economia brasileira será atenuado pelas amplas isenções concedidas pelo governo americano, pelas medidas fiscais recentemente anunciadas pelo governo brasileiro e pela capacidade dos expoO dólar se fortalece à medida que a disparada dos preços do petróleo coloca o Fed em evidência

rtadores de diversificar gradualmente seus mercados em direção à China, ao restante da Ásia e à Europa. No campo político, por outro lado, as repercussões podem ser mais significativas: o presidente Lula pode se beneficiar de um efeito de "união em torno da bandeira", semelhante ao observado no ano passado. Até o momento, o impacto dessas medidas sobre o real tem sido

USD 

Os dados de indicadores econômicos divulgados na semana passada confirmaram o tom geralmente positivo da economia americana. Os dados do PIB do segundo trimestre, divulgados nesta semana, devem mostrar que a economia dos EUA está crescendo a um ritmo próximo de 6% em termos nominais, sem sinais de desaceleração, com a inflação ainda significativamente distante da meta do Fed pelo sexto ano consecutivo. Esse cenário econômico, somado à recente disparada nos preços de energia, deve fornecer munição para os membros mais hawkish do FOMC nesta semana.

Embora não esperemos uma alta de juros na reunião desta semana, acreditamos que a comunicação do banco será inequivocamente hawkish. O comunicado deve, mais uma vez, ser curto, evitando o tipo de orientação futura ("forward guidance") pela qual o presidente Warsh tem demonstrado clara aversão. Mas a comunicação que acompanhar a decisão provavelmente indicará aos mercados que novas altas estão a caminho, caso a guerra no Irã se prolongue e os preços do petróleo permaneçam em torno ou acima dos níveis atuais por um período significativo.

EUR 

Como esperado, o Banco Central Europeu manteve os juros inalterados na semana passada e evitou se comprometer explicitamente com uma trajetória de alta, enfatizando que suas decisões continuam dependentes dos dados. O tom da presidente Lagarde, no entanto, foi hawkish, e ela manteve firmemente a porta aberta para uma nova alta de juros em setembro, afirmando que o banco terá muito mais informações disponíveis até a próxima reunião.

A combinação da recuperação nos preços de energia, do tom mais positivo dos dados econômicos e da comunicação hawkish de Lagarde levou os investidores a precificar uma probabilidade de 80% de uma nova alta na reunião de setembro. A surpreendente recuperação dos PMIs de julho reforça ainda mais essa visão. Os dados de inflação desta semana podem ser decisivos para selar essa alta, já que os economistas esperam que o índice cheio permaneça bem próximo de 3%, ou seja, significativamente acima da meta do BCE.

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