Fed mantém as taxas estáveis enquanto as negociações de paz entre EUA e Irã estagnam

Embora o frágil cessar-fogo na guerra com o Irã esteja sendo mantido por enquanto, o bloqueio quase total do Estreito de Ormuz segue em vigor por ambos os lados, e há poucos sinais de que as negociações de paz estejam avançando — ou mesmo ocorrendo. Os mercados de câmbio oscilam sem uma tendência clara: apesar de o cessar-fogo por tempo indeterminado sugerir que as atividades militares cessaram, ele não cria nenhuma urgência real para um acordo de paz. As bolsas americanas, no entanto, atingiram novas máximas históricas, ao passo que alguns sinais preocupantes vindos da economia da Zona do Euro limitam a alta dos ativos de risco europeus. O que está claro é que a estratégia de "vender a América" foi indefinidamente suspensa, já que os mercados esperam que os EUA permaneçam relativamente isolados dos efeitos colaterais da guerra — especialmente das implicações inflacionárias do conflito.

A semana que se inicia promete ser decisiva. Além dos desdobramentos da guerra, teremos uma série de reuniões importantes de bancos centrais, incluindo o Federal Reserve (quarta-feira), o BCE (quinta-feira) e o Banco da Inglaterra (quinta-feira). Embora não se espere que nenhum deles altere as taxas, os formuladores de política monetária comunicaram relativamente pouco ao mercado sobre como estão avaliando o impacto da guerra nos preços e no crescimento, e qual efeito será priorizado em suas respostas. Os dados de inflação da Zona do Euro e o índice de inflação das despesas de consumo pessoal (PCE) dos EUA — ambos divulgados na quinta-feira — completaram uma semana bastante movimentada para os mercados.

BRL

O real brasileiro continua apresentando um desempenho mais do que resiliente, sendo negociado abaixo de 5,00 por dólar americano. A alta nos futuros do Brent, em meio à persistência das tensões no Estreito de Ormuz, continua favorecendo a moeda local. O ajuste nas expectativas de cortes também está impulsionando o real, uma vez que um cenário de menos reduções de juros corroeria em menor medida a atratividade do carry trade. Por outro lado, a possibilidade de que o país vire à direita nas eleições de outubro também pode ser um fator de alta, em certa medida. No momento, a plataforma de apostas Polymarket aponta para uma vitória de Flávio Bolsonaro nas presidenciais, com uma probabilidade implícita de 40%, frente a 37% de Lula. Dito isso, ainda há muita campanha pela frente e mais de uma virada pode ocorrer até outubro. Quanto ao calendário econômico desta semana, estaremos atentos à reunião do Banco Central do Brasil, para a qual se antecipa um novo corte de juros de 25 pontos-base, além dos dados de inflação do meio do mês e dos dados de desemprego de março.

USD

Os dados econômicos americanos continuam demonstrando resiliência frente aos impactos da guerra. As vendas no varejo de março foram muito sólidas, confirmando o descolamento entre a confiança do consumidor — que está em queda — e as decisões reais de gastos das famílias. Os PMIs também surpreenderam positivamente, com o índice de serviços — o mais importante — retornando a níveis que indicam expansão em abril.

Em suma, a manutenção das taxas, amplamente esperada pelo mercado, parece justificada da parte do Fed na quarta-feira. Não haverá "dot plot" nem projeções econômicas atualizadas, embora esperemos que Powell adote um tom cautelosamente hawkish durante sua coletiva de imprensa. Esperamos que ele reconheça os riscos inflacionários impostos pelo conflito, sem ir longe o suficiente a ponto de levar os mercados a precificarem altas ainda neste ano. Contudo, dada a falta generalizada de clareza decorrente da guerra — e a incerteza adicional em razão da iminente mudança de liderança para um indicado presumivelmente dovish de Trump, Kevin Warsh — a próxima movimentação das taxas tem chances praticamente iguais de ser para cima ou para baixo.

EUR

Os dados de pesquisas da Zona do Euro divulgados na semana passada foram inequivocamente ruins. A pesquisa ZEW com investidores caiu para a mínima de três anos, apesar do comportamento resiliente dos ativos europeus. De forma ainda mais preocupante, os PMIs de atividade empresarial de abril despencaram bem abaixo de expectativas já negativas, atingindo um nível compatível com contração econômica efetiva. Ainda está por ser visto se esses dados mais fracos representam uma reação exagerada ao pessimismo da guerra e se os dados concretos se sustentarão melhor — mas parece que qualquer chance de alta por parte do BCE nesta semana foi descartada.

Os dados do PIB do primeiro trimestre e os dados preliminares de inflação de abril serão divulgados esta semana. Junto com as comunicações do BCE na quinta-feira, teremos um panorama significativamente mais claro do impacto da guerra e da reação do BCE até o fim da semana. Comunicações recentes de dirigentes do BCE indicam que não há pressa para elevar as taxas, mas espera-se que Lagarde mantenha a porta aberta para uma alta no verão europeu na quinta-feira, caso haja preocupações com uma desancoragem das expectativas de inflação.

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