As moedas de porto seguro se beneficiam das oscilações do mercado de ações

Os dados do mercado de trabalho dos EUA foram o principal motor do mercado financeiro na semana passada, alterando as expectativas sobre as taxas do Fed. Os mercados acionários reagiram ao forte relatório de empregos americano com uma venda generalizada que se acelerou até o fechamento de sexta-feira. Os rendimentos subiram à medida que os investidores concluíram que o ciclo de cortes de juros do Federal Reserve chegou ao fim. Um mercado acionário muito caro (especialmente nos EUA) tem pouca margem para erros, levando os investidores a buscar a saída. A venda simultânea de ações e títulos significa que há escassez de portos seguros e, por ora, o dólar americano é um dos poucos que se enquadra nessa condição. O ranking desta semana não deixa dúvidas: não há uma única moeda importante que não tenha recuado frente ao dólar.

Além do impacto habitual da guerra do Irã e das notícias sobre o frágil cessar-fogo, nesta semana os investidores terão de lidar com alguns relatórios macroeconômicos importantes e com a reunião do BCE em junho, na quinta-feira. O índice de inflação CPI dos EUA de maio se destaca entre eles. Os mercados esperam mais um aumento expressivo na taxa geral, à medida que os aumentos de energia continuam a se refletir no consumidor final. O subíndice núcleo, excluindo alimentos e energia, será o dado mais importante, já que os investidores em títulos já estão nervosos após o forte relatório do mercado de trabalho da semana passada. Quanto à reunião do BCE, o primeiro aumento do ciclo foi cuidadosamente sinalizado pela instituição, de modo que o ponto central será a orientação futura que puder ser extraída das comunicações do Conselho e da conferência da presidente Lagarde.

BRL

O real caiu às mínimas de mais de um mês frente a um dólar globalmente mais forte. O PMI composto do Brasil também pesou sobre a moeda local ao entrar em território contracionista em maio. O setor de serviços mal se manteve no azul, enquanto o setor manufatureiro foi prejudicado pelas interrupções nas cadeias de suprimentos e pelo encarecimento da energia - ambos os fenômenos provocados pela guerra do Irã. A ameaça lançada pelo governo Trump de tarifas de 25%, somada às de 12,5% por suposto trabalho forçado, pode voltar a pesar sobre a confiança empresarial. No acumulado do ano, no entanto, o crescimento surpreendeu positivamente.

Esta semana, estaremos atentos ao dado de inflação de maio, que será divulgado na sexta-feira. Espera-se uma alta de 4,39% para 4,65% que, se confirmada, poderá reduzir ainda mais as expectativas de cortes na taxa Selic, conforme já observamos na pesquisa divulgada hoje pelo Banco do Brasil.

USD

Um relatório de empregos de maio muito forte nos EUA sugere que o mercado de trabalho está se reacelerando e refuta a narrativa de que a IA já está causando perdas significativas de empregos. Os mercados de juros passaram a assumir que o ciclo de cortes chegou ao fim, desafiando diretamente o novo presidente do Fed, Warsh, nomeado por Trump com a premissa explícita de que reduziria as taxas.

Com a inflação e o crescimento movendo-se em direções opostas, a próxima reunião do Fed deve ser particularmente acirrada. O relatório de inflação desta semana será fundamental para avaliar em que medida as pressões dos preços de energia estão começando a se espalhar para o restante da economia.

EUR

O relatório preliminar de inflação da zona do euro para maio não trouxe surpresas desagradáveis, mas confirmou que a inflação geral se afastou decisivamente da meta do BCE, registrando 3,2%. Evidentemente, esse aumento é impulsionado principalmente pela alta dos preços de energia, e ainda está por ser visto se haverá efeitos de segunda ordem. O caráter defasado dos relatórios econômicos da zona do euro torna essa avaliação ainda mais difícil do que em outros lugares.

O relatório do PIB do primeiro trimestre mostrou uma contração inesperada, mas isso se deveu inteiramente a peculiaridades nos dados da Irlanda. Excluindo o pequeno país, a zona do euro continua crescendo a uma taxa anualizada de pouco menos de 1%. Este é o pano de fundo para a reunião do BCE de quinta-feira, quando os mercados esperam universalmente o primeiro aumento de juros do ciclo.

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